domingo, 8 de fevereiro de 2009

Se os tubarões fossem homens (Bertold Brecht)

Se os tubarões fossem homens, eles fariam construir resistentes caixas do mar, para os peixes pequenos com todos os tipos de alimentos dentro, tanto vegetais, quanto animais.

Eles cuidariam para que as caixas tivessem água sempre renovada e adotariam todas as providências sanitárias cabíveis se, por exemplo, um peixinho ferisse a barbatana, imediatamente ele faria uma atadura a fim que não morressem antes do tempo.

Para que os peixinhos não ficassem tristonhos, eles dariam cá e lá uma festa aquática, pois os peixes alegres têm gosto melhor que os tristonhos.

Naturalmente também haveria escolas nas grandes caixas, nessas aulas os peixinhos aprenderiam como nadar para a goela dos tubarões.

Eles aprenderiam, por exemplo, a usar a geografia, a fim de encontrar os grandes tubarões, deitados preguiçosamente por aí; a aula principal seria naturalmente a formação moral dos peixinhos.

Eles seriam ensinados de que o ato mais grandioso e mais belo é o sacrifício alegre de um peixinho, e que todos eles deveriam acreditar nos tubarões, sobretudo quando esses dizem que velam pelo belo futuro dos peixinhos.

Se encucaria nos peixinhos que esse futuro só estaria garantido se aprendessem a obediência.

Antes de tudo os peixinhos deveriam guardar-se antes de qualquer inclinação baixa, materialista, egoísta e marxista e denunciaria imediatamente aos tubarões se qualquer deles manifestasse essas inclinações.

Se os tubarões fossem homens, eles naturalmente fariam guerra entre si a fim de conquistar caixas de peixes e peixinhos estrangeiros.

As guerras seriam conduzidas pelos seus próprios peixinhos. Eles ensinariam os peixinhos que entre eles e os peixinhos de outros tubarões existem gigantescas diferenças, eles anunciariam que os peixinhos são reconhecidamente mudos e calam nas mais diferentes línguas, sendo assim impossível que entendam um ao outro.

Cada peixinho que na guerra matasse alguns peixinhos inimigos da outra língua silenciosos seria condecorado com uma pequena ordem das algas e receberia o título de herói.

Se os tubarões fossem homens, haveria entre eles naturalmente também uma arte, havia belos quadros, nos quais os dentes dos tubarões seriam pintados em vistosas cores e suas goelas seriam representadas como inocentes parques de recreio, nos quais se poderia brincar magnificamente.

Os teatros do fundo do mar mostrariam como os valorosos peixinhos nadam entusiasmados para as goelas dos tubarões.

A música seria tão bela, tão bela que os peixinhos sob seus acordes, a orquestra na frente entrariam em massa para as goelas dos tubarões sonhadores e possuídos pelos mais agradáveis pensamentos.

Também haveria uma religião ali.

Se os tubarões fossem homens, ela ensinaria essa religião e só na barriga dos tubarões é que começaria verdadeiramente a vida.

Ademais, se os tubarões fossem homens, também acabaria a igualdade que hoje existe entre os peixinhos, alguns deles obteriam cargos e seriam postos acima dos outros.

Os que fossem um pouquinho maiores poderiam inclusive comer os menores, isso só seria agradável aos tubarões, pois eles mesmos obteriam assim mais constantemente maiores bocados para devorar e os peixinhos maiores que deteriam os cargos valeriam pela ordem entre os peixinhos para que estes chegassem a ser, professores, oficiais, engenheiro da construção de caixas e assim por diante.

Curto e grosso, só então haveria civilização no mar, se os tubarões fossem homens.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Rosa


Quando procurei ser já não pude porque já não era. Nada é mais efêmero que um cachorro. O que é um cachorro? Um animal que vive de sortes. Basta a falta desta e ele fica decrépito e morre de maneira lamentável. E ninguém jamais soube que ele existiu. Aristóteles já falava de certos insetos que havia no rio Hipanis que viviam somente um dia. Mas de todas as coisas a mais efêmera é sem dúvida o Homem. E o fato de ser um ser de tanta importância, obra-prima de Deus, aumenta mais esse sentido. Quão bem estruturado é um crânio, sólidos ossos protegendo a matéria pensante, e tão fácil ele se esmigalha. Uma topada que nos faça bater com a testa em algum canto; uma leve friagem, um rocio, e deixamos tudo por fazer; partimos e se temos sorte damos adeus para quem amamos; ouvimos eles nos mentirem dizendo que ficarão bem, pois eles sabem que nossa preocupação é como eles vão se virar agora, principalmente aqueles mais afastados das ternuras, dos calores... As mais belas coisas têm um curto destino. Há pessoas que são como rosas, e por isso vivem apenas o que uma rosa vive: o espaço de uma manhã. Os que ficam, ficam? Há um limite até para as lágrimas que alguém pode derramar. Sempre há um sentimento de culpa que sempre vem tarde demais e por isso não há absolvição. É num momento limite que vemos com olhos que não temos que nada importa. Quando procurei ser já não pude porque já não era. A arte sempre é um refúgio que procuro. Duas passagens do filme “As Horas” me tocaram, uma me emocionando e a outra me abrindo os olhos: 1ª: o marido de Virgínia Woolf, ouvindo sempre ela falando que Miss Dollawey tinha que morrer, lhe pergunta por que alguém tem que morrer, e ela lhe responde “Alguém tem que morrer para que os outros ao seu redor valorizem a vida”; 2ª: a personagem Clarissa, lembrando o passado diz para a filha “Nos encontramos naquele verão e foi tudo tão belo e maravilhoso. E fiquei pensando no futuro, preocupada em manter aquele começo de felicidade. Eu não me dei conta de que não era o começo da felicidade; era a própria felicidade.” Ela quis dizer que quando estamos numa fase maravilhosa de nossa vida, pensamos que é apenas o começo e que devemos nos esforçar para manter isso, para sermos felizes no futuro. Mal sabemos que isso não é um investimento que possamos amontoar o bastante para que no futuro tenhamos de sobra. Esses momentos são a própria felicidade, já, na exata ocasião em que acontecem. E se perdem na maioria das vezes para nunca mais voltar. O passado nos entretém com suas filosofias e o futuro nos ilude com esperanças, mas o que existe é o presente, duro e amargo; é um comprimido que temos que engolir sem água, pois ou se bebe ou se chora; não dá para ter as duas coisas. Eu já sequei todas as minhas lágrimas, então terei que engolir a seco o resto dessa minha vida. As palavras dos sábios dizem que não devemos dar importância a essa vida, pois quando morrermos não haverá lembrança de quem fomos e a vida continuará seu curso. Mas eu desafio essa tola saberia. Nunca vou esquecer. Nunca vou esquecer. Nunca esquecerei quem esqueceu suas dores para suavizar as minhas. Isso ficou marcado na minha vida como um antigo filme em preto e branco o qual eu pus o título “O Dia do Desastre”. Um mundo tão grande e estou sozinho... Quando procurei ser já não pude porque já não era.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Um de meus poemas preferidos


O Arranco da Morte (Junqueira Freire)

Pesa-me a vida já. Força de bronze
Os desmaiados braços me pendura.
Ah! já não pode o espírito cansado
Sustentar a matéria.

Eu morro, eu morro. A matutina brisa
Já não me arranca um riso. A rósea tarde
Já não me doura as descoradas faces
Que gélidas se encovam.

O noturno crepúsculo caindo
Só não me lembra o escurecido bosque,
Onde me espera, a meditar prazeres,
A bela que eu amava.

A meia-noite já não traz-me em sonhos
As formas dela - desejosa e lânguida-
Ao pé do leito, recostada em cheio
Sobre meus braços ávidos.

A cada instante o coração vencido
Diminui um palpite; o sangue, o sangue,
Que nas artérias férvido corria,
Arroxa-se e congela.

Ah! é chegada a minha hora extrema!
Vai meu corpo dissolver-se em cinza;
Já não podia sustentar mais tempo
O espírito tão puro.

É uma cena inteiramente nova.
Como será? - Como um prazer tão belo,
Estranho e peregrino, e raro e doce,
Vem assaltar-me todo!

E pelos imos ossos me refoge
Não sei que fio elétrico. Eis! sou livre!
O corpo que foi meu! que lodo impuro!
Caiu, uniu-se à terra.

sábado, 15 de novembro de 2008

{[(*)]}




Paredes do meu blog, descobri que ser bom não é o bastante. O que fazer quando querem que ajamos contra nossa natureza? Eu queria partir. Tudo que eu faço dá certo. E tudo que eu quero dá errado. Daí vocês tiram que tudo que eu faço de bom não é realmente nada do que eu queria de verdade. Por que fui nascer com essa mania de não me contentar com pouco? Por que não ser igual a todos e pegar o que está mais à mão? Viver de idealizações é o tipo de vida mais lindamente triste que se poderia querer. Um sopro e um espectro de hálito são o mais perto que eu chego dos anelados desejos. Minha vida é a amarga rima de recreio com anseio. Meu coração tão quente está se cristalizando. Ao sol ele é lindo, parece um prisma. Na chuva ele é meigo e nostálgico. O que eu mais temo é que um dia ele se quebre, pois sei que não poderei juntar os pedaços. Nunca mais.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Super Size Me - A Dieta do Palhaço



Dica de Filme:
Sinopse: O diretor Morgan Spurlock decide ser a cobaia de uma experiência: se alimentar apenas em restaurantes da rede McDonald's, realizando neles três refeições ao dia durante um mês. Durante a realização da experiência o diretor fala sobre a cultura do fast food nos Estados Unidos, além de mostrar em si mesmo os efeitos físicos e mentais que os alimentos deste tipo de restaurante provocam.
O diretor Morgan Spurlock analisa a cultura do fast food nos Estados Unidos, se submetendo a uma experiência: se alimentar 3 vezes ao dia, durante um mês, apenas em lanchonetes da rede McDonald's. Recebeu uma indicação ao Oscar.

PremiaçõesRecebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Documentário.Ganhou o prêmio de Melhor Diretor - Documentário, no Sundance Film Festival. CuriosidadesO diretor Morgan Spurlock teve a idéia de rodar Super Size Me quando, pouco antes do jantar de Ação de Graças, viu na TV uma matéria jornalística sobre duas garotas adolescentes que estavam processando o McDonald's por torná-las obesas.
Tirado do Filme: Depois Que Você Bebe Uma Latinha de Coca-Cola!!! Veja o Estrago!!!

Nos primeiros 10 minutos: 10 colheres de chá de açúcar batem no seu corpo, 100% do recomendado diariamente. Você não vomita imediatamente pelo doce extremo porque o ácido fosfórico corta o gosto.
20 minutos: O nível de açúcar em seu sangue estoura forçando um jorro de insulina. O fígado responde transformando todo o açúcar que recebe em gordura. (É muito neste momento particular.)
40 minutos: Absorção da cafeína está completa. Suas pupilas dilatam, a pressão sangüínea sobe, o fígado responde bombeando mais açúcar na corrente. Os receptores de adenosina no cérebro são bloqueados para evitar tonteiras.
45 minutos: O corpo aumenta a produção de dopamina, estimulando os centros de prazer do corpo. (Fisicamente, funciona igualzinho com heroína.)
60 minutos: O ácido fosfórico empurra cálcio, magnésio e zinco para o intestino grosso, aumentando o metabolismo. As altas doses de açúcar e outros adoçantes aumentam a excreção de cálcio na urina.
60 minutos: As propriedades diuréticas da cafeína entram em ação. (Você urina.) Agora é garantido que irá por para fora cálcio, magnésio e zinco os quais seus ossos precisariam.
60 minutos: Conforme a onda abaixa você sofrerá um choque de açúcar. Ficará irritado. Você já terá posto para fora tudo o que estava na Coca, mas não sem antes ter posto para fora junto coisas das quais seu organismo precisaria.
OBS: Cerveja contém conservantes, portante conservam você.

domingo, 2 de novembro de 2008

...

Meu cansaço voltou. Pensam que eu não tento. Tento muito. Mas não há jeito. Meu cansaço voltou. Está chegando o momento. Vou perder uma parte de mim mesmo. Onde vou parar pendendo tanta coisa? Não sei. Só sinto o cansaço. A lassidão.
Bela frase do filme Kung Fu Panda: “O passado é história; o futuro é mistério; mas o presente é uma dádiva”. Minha dádiva sempre me é subtraída. Não sei o motivo nem o propósito. Mas sei que cansa.

domingo, 12 de outubro de 2008

Nacc





Bem, eu não faço muitas coisas boas, mas tem uma da qual me orgulho muito: sou voluntário do Nacc (Núcleo de Apoio à Criança com Câncer). Há mais de dois anos nessa ação, aprendi muita coisa. Aprendi, por exemplo, a nunca deixar a tristeza ou a melancolia me abater e mesmo passando por horas difíceis sempre sorrir e manter acessa a fagulha da esperança, pois as crianças de lá têm pleno conhecimento do que se passa com elas e mesmo assim estão sempre pra cima, muito sorridentes; brincam e fazem arte todo o tempo. Graças a Deus que assim permite. Claro que o fato de serem crianças influi nisso. Também não estou fazendo comparações entre a situação delas e a minha; seria absurdo. Apenas noto que tem gente que tem tanta sorte e que sofre porque não tem ou ainda não encontrou algo que deseja, e por isso se julga infeliz. E as outras pessoas que realmente têm toda sorte de faltas e carências na vida? Como sobrevivem? Voltando às crianças, são as mais lindas e afetuosas do mundo. Não sei se é carência, pois elas têm toda a atenção, mas elas nos fazem sentir pessoas muito especiais quando abrem os braços para nós nos chamando de tio; as menores querem colo e braço. São muito inteligentes. Sabem de cor todas as historias e quando mudamos algo elas nos chamam atenção. Aí o riso rola solto. Me surpreendo quando conversam entre si sobre os procedimentos e tratamentos. Foi numa dessas conversas que descobri o era cateter. Como sou da área de Biblioteconomia, minha atividade lá é na sala de leitura Josué de Castro. Eu conto historinhas e faço várias atividades lúdicas com elas. Também há passeios e cineminha. Vou lá fazer algo para elas e quem sai ganhando sou eu. Volto pra casa com refrigérios na alma. Tudo no Nacc é muito bom: a comida, a estrutura, as pessoas envolvidas, enfim, tudo. A maioria das pessoas é de voluntários, dentista, terapeuta ocupacional, médico, recreadores etc.
Desde 1985, o Nacc vem oferecendo suporte aos serviços de oncologia pediátrica da Cidade do Recife, através de apoio às crianças carentes em tratamento na cidade e seus familiares. A determinação e o esforço de cada um contribuem para que o Nacc possa oferecer às crianças o apoio necessário para enfrentar as dificuldades do tratamento.Os voluntários atuam em praticamente todas as atividades do Nacc, da parte administrativa à assistência direta às crianças. A seleção dos voluntários inicia-se a partir da disponibilidade de vagas na área de atividade escolhida, passam por uma entrevista e só então são efetivados como voluntários do Nacc. Os voluntários exercem esta atividade de acordo com a lei do voluntário (lei no 9608 de 18/02/98).
Quem estiver interessado em ser voluntário ou ajudar de outra forma, entre em contato com o Nacc, lá você pode ver em qual área mais se identifica para ser voluntário:

Rua do Futuro, 855 Aflitos - Recife - PE CEP: 52050-010 Fone: 81 . 3267.9200 e-mail: nacc@nacc.org.br
http://www.nacc.org.br/home/index.shtml