segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Um de meus poemas preferidos


O Arranco da Morte (Junqueira Freire)

Pesa-me a vida já. Força de bronze
Os desmaiados braços me pendura.
Ah! já não pode o espírito cansado
Sustentar a matéria.

Eu morro, eu morro. A matutina brisa
Já não me arranca um riso. A rósea tarde
Já não me doura as descoradas faces
Que gélidas se encovam.

O noturno crepúsculo caindo
Só não me lembra o escurecido bosque,
Onde me espera, a meditar prazeres,
A bela que eu amava.

A meia-noite já não traz-me em sonhos
As formas dela - desejosa e lânguida-
Ao pé do leito, recostada em cheio
Sobre meus braços ávidos.

A cada instante o coração vencido
Diminui um palpite; o sangue, o sangue,
Que nas artérias férvido corria,
Arroxa-se e congela.

Ah! é chegada a minha hora extrema!
Vai meu corpo dissolver-se em cinza;
Já não podia sustentar mais tempo
O espírito tão puro.

É uma cena inteiramente nova.
Como será? - Como um prazer tão belo,
Estranho e peregrino, e raro e doce,
Vem assaltar-me todo!

E pelos imos ossos me refoge
Não sei que fio elétrico. Eis! sou livre!
O corpo que foi meu! que lodo impuro!
Caiu, uniu-se à terra.

sábado, 15 de novembro de 2008

{[(*)]}




Paredes do meu blog, descobri que ser bom não é o bastante. O que fazer quando querem que ajamos contra nossa natureza? Eu queria partir. Tudo que eu faço dá certo. E tudo que eu quero dá errado. Daí vocês tiram que tudo que eu faço de bom não é realmente nada do que eu queria de verdade. Por que fui nascer com essa mania de não me contentar com pouco? Por que não ser igual a todos e pegar o que está mais à mão? Viver de idealizações é o tipo de vida mais lindamente triste que se poderia querer. Um sopro e um espectro de hálito são o mais perto que eu chego dos anelados desejos. Minha vida é a amarga rima de recreio com anseio. Meu coração tão quente está se cristalizando. Ao sol ele é lindo, parece um prisma. Na chuva ele é meigo e nostálgico. O que eu mais temo é que um dia ele se quebre, pois sei que não poderei juntar os pedaços. Nunca mais.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Super Size Me - A Dieta do Palhaço



Dica de Filme:
Sinopse: O diretor Morgan Spurlock decide ser a cobaia de uma experiência: se alimentar apenas em restaurantes da rede McDonald's, realizando neles três refeições ao dia durante um mês. Durante a realização da experiência o diretor fala sobre a cultura do fast food nos Estados Unidos, além de mostrar em si mesmo os efeitos físicos e mentais que os alimentos deste tipo de restaurante provocam.
O diretor Morgan Spurlock analisa a cultura do fast food nos Estados Unidos, se submetendo a uma experiência: se alimentar 3 vezes ao dia, durante um mês, apenas em lanchonetes da rede McDonald's. Recebeu uma indicação ao Oscar.

PremiaçõesRecebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Documentário.Ganhou o prêmio de Melhor Diretor - Documentário, no Sundance Film Festival. CuriosidadesO diretor Morgan Spurlock teve a idéia de rodar Super Size Me quando, pouco antes do jantar de Ação de Graças, viu na TV uma matéria jornalística sobre duas garotas adolescentes que estavam processando o McDonald's por torná-las obesas.
Tirado do Filme: Depois Que Você Bebe Uma Latinha de Coca-Cola!!! Veja o Estrago!!!

Nos primeiros 10 minutos: 10 colheres de chá de açúcar batem no seu corpo, 100% do recomendado diariamente. Você não vomita imediatamente pelo doce extremo porque o ácido fosfórico corta o gosto.
20 minutos: O nível de açúcar em seu sangue estoura forçando um jorro de insulina. O fígado responde transformando todo o açúcar que recebe em gordura. (É muito neste momento particular.)
40 minutos: Absorção da cafeína está completa. Suas pupilas dilatam, a pressão sangüínea sobe, o fígado responde bombeando mais açúcar na corrente. Os receptores de adenosina no cérebro são bloqueados para evitar tonteiras.
45 minutos: O corpo aumenta a produção de dopamina, estimulando os centros de prazer do corpo. (Fisicamente, funciona igualzinho com heroína.)
60 minutos: O ácido fosfórico empurra cálcio, magnésio e zinco para o intestino grosso, aumentando o metabolismo. As altas doses de açúcar e outros adoçantes aumentam a excreção de cálcio na urina.
60 minutos: As propriedades diuréticas da cafeína entram em ação. (Você urina.) Agora é garantido que irá por para fora cálcio, magnésio e zinco os quais seus ossos precisariam.
60 minutos: Conforme a onda abaixa você sofrerá um choque de açúcar. Ficará irritado. Você já terá posto para fora tudo o que estava na Coca, mas não sem antes ter posto para fora junto coisas das quais seu organismo precisaria.
OBS: Cerveja contém conservantes, portante conservam você.

domingo, 2 de novembro de 2008

...

Meu cansaço voltou. Pensam que eu não tento. Tento muito. Mas não há jeito. Meu cansaço voltou. Está chegando o momento. Vou perder uma parte de mim mesmo. Onde vou parar pendendo tanta coisa? Não sei. Só sinto o cansaço. A lassidão.
Bela frase do filme Kung Fu Panda: “O passado é história; o futuro é mistério; mas o presente é uma dádiva”. Minha dádiva sempre me é subtraída. Não sei o motivo nem o propósito. Mas sei que cansa.

domingo, 12 de outubro de 2008

Nacc





Bem, eu não faço muitas coisas boas, mas tem uma da qual me orgulho muito: sou voluntário do Nacc (Núcleo de Apoio à Criança com Câncer). Há mais de dois anos nessa ação, aprendi muita coisa. Aprendi, por exemplo, a nunca deixar a tristeza ou a melancolia me abater e mesmo passando por horas difíceis sempre sorrir e manter acessa a fagulha da esperança, pois as crianças de lá têm pleno conhecimento do que se passa com elas e mesmo assim estão sempre pra cima, muito sorridentes; brincam e fazem arte todo o tempo. Graças a Deus que assim permite. Claro que o fato de serem crianças influi nisso. Também não estou fazendo comparações entre a situação delas e a minha; seria absurdo. Apenas noto que tem gente que tem tanta sorte e que sofre porque não tem ou ainda não encontrou algo que deseja, e por isso se julga infeliz. E as outras pessoas que realmente têm toda sorte de faltas e carências na vida? Como sobrevivem? Voltando às crianças, são as mais lindas e afetuosas do mundo. Não sei se é carência, pois elas têm toda a atenção, mas elas nos fazem sentir pessoas muito especiais quando abrem os braços para nós nos chamando de tio; as menores querem colo e braço. São muito inteligentes. Sabem de cor todas as historias e quando mudamos algo elas nos chamam atenção. Aí o riso rola solto. Me surpreendo quando conversam entre si sobre os procedimentos e tratamentos. Foi numa dessas conversas que descobri o era cateter. Como sou da área de Biblioteconomia, minha atividade lá é na sala de leitura Josué de Castro. Eu conto historinhas e faço várias atividades lúdicas com elas. Também há passeios e cineminha. Vou lá fazer algo para elas e quem sai ganhando sou eu. Volto pra casa com refrigérios na alma. Tudo no Nacc é muito bom: a comida, a estrutura, as pessoas envolvidas, enfim, tudo. A maioria das pessoas é de voluntários, dentista, terapeuta ocupacional, médico, recreadores etc.
Desde 1985, o Nacc vem oferecendo suporte aos serviços de oncologia pediátrica da Cidade do Recife, através de apoio às crianças carentes em tratamento na cidade e seus familiares. A determinação e o esforço de cada um contribuem para que o Nacc possa oferecer às crianças o apoio necessário para enfrentar as dificuldades do tratamento.Os voluntários atuam em praticamente todas as atividades do Nacc, da parte administrativa à assistência direta às crianças. A seleção dos voluntários inicia-se a partir da disponibilidade de vagas na área de atividade escolhida, passam por uma entrevista e só então são efetivados como voluntários do Nacc. Os voluntários exercem esta atividade de acordo com a lei do voluntário (lei no 9608 de 18/02/98).
Quem estiver interessado em ser voluntário ou ajudar de outra forma, entre em contato com o Nacc, lá você pode ver em qual área mais se identifica para ser voluntário:

Rua do Futuro, 855 Aflitos - Recife - PE CEP: 52050-010 Fone: 81 . 3267.9200 e-mail: nacc@nacc.org.br
http://www.nacc.org.br/home/index.shtml







domingo, 28 de setembro de 2008

meus Amigos, meus Amores.








Bem, é a primeira vez que falo com vcs, paredes do meu blog, à maneira blogueira mesmo de falar e se abrir. Tô engatinhando nisso. Bem, estou com vontade de falar de amizade. Pretendo que comecei bem, pois há poucas coisas tão importantes como a amizade. Eu não tive muitos amigos e os que ensaiaram ser sairam de cena por motivos diversos; mudança de lugar, de sala, de ser etc. Estou escrevendo agora o que manda a cabeça; isento as mãos de toda culpa por estas palavras que elas escrevem. Tive uma namorada que me amou muito mas não soube ser amiga, somente namorada. Hoje contabilizo já um punhado de amigos e uns raros amigos verdadeiros. Eles matam um pouco minha solidão. Minha solidão tem dispeitas desses, pois antes só ela reinava. Vcs sabem, essas coisas de ciúme. Eu infelizmente cheguei a amar e o que não teria sido de mim se não tivesse essas pessoas tão zelosas de minha alegria! Estou emocionado neste exato instante só de imaginar o quanto sou querido. É que quando um amor que domina nosso coração usa desse poder e o esmaga com a rejeição, pensamos que não temos importância e que ninguém nos quer bem. Pelo menos eu calculo que a maioria se sinta dessa forma. Eu recentemente encontrei mais um amigo que vai para a caixinha dos raros. Ele faz origami, vejam só! Só isso já é um bom sinal. Eu aprendi um pouco só; aprendo um pouco com eles. Só temo perdê-los. Não se pode substituí-los. Eu aprendi a não desejar tudo que vejo, nem prezar qualquer coisa. Madre Tereza de Calcutá já prevenia: "Há mais lágrimas derramadas pelas preces atendidas do que pelas não atendidas". Mas uma coisa eu desejo forte e sem medo: é ter vcs sempre do meu lado e sempre poder fazer algo pela felicidade de vcs. Dias difícies estão vindo. Se me perceberem com o peito oprimido, cuidem de mim. Muitas lágrimas do coração nunca sobem aos olhos.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

?


Brisa
Lábios
Sede

É o momento
É hoje

Mãos
Lucidez
Espinhos

Brisa
O que é a brisa?
Brisa
Suspiro ressecando lábios...

Salvação
Anedota
Não existe chave
Salvação
Asas
Não dá pra voar

Ânsia de vômito
Frêmito na pele
Vazio
Só o vazio
É agora
Mãos pedem lucidez, pois há espinhos
É agora
É a hora do show
É a hora do show

E agora é a hora do show
E agora é a hora do show
Hora do show

Para um Anjo

Passei toda minha vida esperando por uma segunda chance
Tudo de que eu preciso é de alguma autodestruição
Ah! que linda coisa
E talvez o vazio possa ser preenchido
Eu quero correr o mais que puder
Para longe desse mundo
Para um lugar cheio de escuridão
Onde nem uma luz veja minhas lágrimas
Não fará nenhuma diferença
A ausência de mais um triste no mundo
Eu quero voar com todas as asas
Para longe desse mundo

Eu não posso culpar você
Você nasceu para a felicidade
Tudo em você é belo
Enquanto eu sou só um cara medroso
Que direito tenho de sonhar com você?
Eu queira descansar pra sempre
Minha cama é feita de seus olhos
Meu lençol é feito de seus lábios
Eu respiro seu hálito
Tudo em você é perfeição
Enquanto eu sou só um cara medroso
Que direito tenho de sonhar em te ter?
Eu queria descansar pra sempre
Eu queria morrer

Você é o ser mais nobre desse mundo
Basta lembrar dos seus olhos que não paro de chorar

O que te faria feliz?
O que você deseja?
Eu faria qualquer coisa por você
Eu faço tudo por você
Mas eu no momento apenas tenho medo
Que direto tenho de sonhar com você
Eu queria descansar para sempre
Eu to cansado desse mundo

Um arrepio acaba de percorrer meu corpo
É o fantasma de suas mãos
Elas me matam e ressuscitam
Tenho certeza de quando eu morrer vou para o paraíso de tanto que sofri nessa vida
Correrei por campos onde pairam aromas de morango
Eu vou rir com tua lembrança
Um riso de lagrimas
Porque você é meu grande amor
Um arrepio acaba de percorrer meu corpo

Eu um tenho segredo para te contar
Preciso que você não conte a ninguém
É um segredo que guardo desde o primeiro momento que te vi:
Você é lindo demais.
Eu tenho outro segredo para te contar
Preciso que você guarde bem:
Eu te amo muito.

Eu vou viver do seu amor para sempre

Meus dias são longos e curtos
Depende se você está perto ou não

Seu nome é um mantra que repito o dia inteiro
Você é um anjo esquecido na Terra ou ficou aqui por ser demasiado humano
Anjo
Eu queria que você nunca chorasse

Onde?
Onde está você?
Hoje eu não queria morrer
Eu queria escapar
Eu queria escapar
Eu sei que você tem planos de escapar
Então me leve com você
Deixe que eu te siga pra um pouco de vida
Um poço de vida
Um poço para um sedento
Rasgarei minhas veias e será teu o que delas sair
Estou gritando por você
Estou gritando por
Estou gritando
Estou

Dor
Esperei a vida toda por você, meu amor
Venha me salvar
Te salvarei de volta

Sinceramente eu não vejo alternativas de felicidade além de você
Como você acha que me sinto quando em minha cama penso em você?
Eu não espero que você se comova com minhas palavras
Nem se sinta na obrigação de me retribuir nada
Mas deixe que eu segure firme este fio de esperança que escapa de você
Nunca puxe de minhas mãos este fio
Eu sou um acostumado a andar por ruas vazias
Desertos me fazem feliz
Sou guiado pela miragem de alguém igual a mim
Deixe que eu segure firme este fio de esperança que escapa de você
Eu choro em ônibus vazios
Eu rio em cinemas vazios
Só queria que você nunca chorasse sem meu ombro
Nem risse sem que eu compartilhasse
Sinceramente eu não vejo alternativas de felicidade além de você
Cada detalhe seu que lembro, queima tudo em mim, meu amor
Como um orvalho de paixão na aurora de uma pétala de rosa
Eu não espero que você se comova com minhas palavras
Nem se sinta na obrigação de me retribuir nada
Mas deixe que eu segure firme este fio de esperança que escapa de você
Nunca puxe de minhas mãos este fio
Estou morrendo de frio
Me aqueça com o calor de sua voz
Eu não me importo se minha vida acabar agora
Nem com o amor das outras pessoas
Só quero ter a felicidade de te ter uma vez na vida
Nunca puxe de minhas mãos este fio
Estou morrendo de frio

Será que chega até você tudo que sinto?
Será que você sente algo estranho e lembra de mim sem saber porquê?

O que você quer?
De que sente falta?
Seja o que for
Eu faço pra você
Apenas não desista
Eu tenho medo por nós dois que você se canse como eu cansei
Apenas não pare
Apenas siga em frente
Eu estou aqui pra você
Estou aqui por você

Agora que eu te encontrei
Nunca vou perder você
Nunca vou deixar de olhar pra você
Então é melhor se acostumar
Porque não posso deixar de te amar
Então seja paciente comigo
Se você pedir pra me afastar eu irei
Mas irei direto pra morte
Eu não tenho intenção de ser um incômodo pra você
Você já tem seus próprios problemas
Mas você é especial demais
É impossível pra mi não te amar
Então é melhor se acostumar porque eu não consigo parar de te amar
Não fique com raiva de mim
É mais forte que eu
Se me afastar de você
Irei direto pra morte.
Você é o meu herói
Porque você não é desse mundo
Você trocou o céu por este mundo áspero
Não sofra pelos que te machucam
Eles nem sabem quem estão perdendo
Nunca se deixe esgotar
Porque eu estou aqui
E te ajudo a fugir pra longe de tudo
Nunca me abandone
Porque sou muito forte, mas se você pedir pra eu ir
Eu irei direto pra morte
Para minha derradeira morte.
Kamasuta de antigamente
Kamasutra de hoje








domingo, 17 de agosto de 2008

Uma Comédia na Presença da Morte




Quer entende um pouco o mundo dos adolescente?

Leia este livro. Você vai rir e vai chorar.



Eis o tipo de companhia que devo me acostumar a ter. Apenas eu e o banco. A natureza não conta. Nunca contou. Apenas o banco conta. Meu amigo duro como minha tristeza. Frio como minha solidão. Mas... Talvez ele minta. Talvez prefira que nele se aconcheguem pessoas alegres. Amores felizes. Pensando bem, a muito tempo que estou acostumado com este tipo de companhia. A muito sou só eu, sem nem sequer um banco...

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Uma dica.





















Estas são imagens da exposição que está acontecendo no Instituto Cultural Banco Real, sobre cordel, que inclui obras em barro e madeira. É tudo muito bonito, com as paredes forradas de cordel. O Instituto fica no Recife Antigo em frente ao Marco Zero. Não paga pra olhar como na FENEART; Então vá ver.






quinta-feira, 3 de julho de 2008

Este poema, aconteceu comigo; por isso mesmo eu o escrevi. O título fica no final mesmo e a foto é do próprio jardim, tirada por mim, no CAC.


Quando me prometeste teu amor, naquele jardim,
Fui!; não fostes!
Esperei-te em devaneios,
O coração sofrendo
As dores da ansiedade.
Os pensamentos abreviaram em vã fantasia tua vinda:
Teu perfume me envolvendo, teu hálito me estremecendo os lábios sequiosos;
Teus lábios osculando meu pescoço tão suavemente que só o senti porque soube o que fazias;
Tua mão quente na minha que tremia.
Uma musica belíssima e silente tomou-me
Os ouvidos e quase fui tomado de um consciente delíquio.
Meu corpo, numa dualidade de vigor e moleza,
Agiu como a flor que no auge de ser flor, emana gotas
De dulcíssimo néctar, convidando ao deleite a abelha enamorada.
Sentados que estávamos, teu peito roçava meu ombro
E tua mão a apoiastes na minha coxa,
A ponta dos dedos no , numa massagem sem movimento.
A penugem acariciando a face, beijaste-me
Com doçura e minhas lágrimas umedeceram
Teus lábios – o amor ainda mais forte que o desejo.
Nunca fostes!
Só o tempo correu apressado, sazonando tudo.
Um apaixonado casal de rouxinóis que acabava de despertar,
Não cantou seus amores
Para não me constranger.
Flores pendentes dum ramo de esmeraldas
Preparavam-se para o sono,
Escondendo o rosto do rocio.
Um cacho de borboletas, de maduro caiu no chão.
Fiquei indeciso entre continuar chorando,
Ir embora, morrer ou apanhar algumas.

Malograda é a esperança.

Fases líquidas da vida do homem:


Do you remember?


O que o seu horóscopo aconselha para hoje?


Nada como a amizade


Um poeminha dos que escrevo quando enjôo da vida...


Pra começar não me venham com conversa sobre o belo, pois não sou utópico.
"Amor" se assim denominam a Necessidade, não me apresentem;
Não contem piada, basta viver numa;
Digamos que a vida seja mesmo maravilhosa como alguns querem;
Digamos que até seja uma dádiva (eu me prendo pra não rir);
Nada disso me diz respeito;
Sou alheio a tudo que não seja a palavra muda e o eco sem retorno;
Acerbo destino o de ter de ser feliz abrigando uma alma tão remota e triste.
Derramou-se há muitos séculos a gota única de contentamento que inundava meu ser;
Evaporou-se na aridez do terreno;
Era o contentamento de ainda não existir.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Uma amostra de porquê ler a Divina Comédia:








O trecho fala da história de um amor adúltero que é interrompido pela vingança do marido traído: Francesca, casada com Lanceotto Malatesta, ama o seu cunhado, Paolo Malatesta que lhe corresponde o seu amor. Uma noite, trocando carícias e juras de amor, são surpreendidos pelo marido traído que os mata.Quando Dante e a sombra de Virgílio passeiam pelo círculo do inferno destinado "àqueles que trocaram a razão pela luxúria", cruzam-se com aquele par "leve ao vento" que sumária, poética e tristemente lhes relata a sua desventura:




“Neste lugar escuro onde eu me encontrava, o som das vozes melancólicas se assemelhava ao assobio do mar durante uma grande tormenta. Os tristes sons emanavam de um enorme redemoinho. Eram almas sofredoras, sacudidas pelo vento que nunca cessava. Entendi que era o castigo pela transgressão da carne, que desafia a razão, e a submete à sua vontade.
No escuro vento vi várias sombras que passavam se lamentando [...].
Poeta - eu falei - eu gostaria, se for possível, de falar com aqueles dois, unidos, que tão leves parecem ser ao vento.
Espera - respondeu -, em breve estarão próximos de nós, e quando a fúria do vento diminuir, peça, pelo amor que os conduz, que eles virão.
Então, quando a tormenta cedeu um pouco, eu chamei:
Ó almas sofridas, falai conosco, se isto for permitido! Elas ouviram, entenderam meu pedido. Deixaram o bando onde estavam as outras e se aproximaram. Uma delas falou:
Ó ser gracioso e benigno, o que desejares ouvir ou falar conosco, nós ouviremos e falaremos, se o vento permitir. Nasci na terra onde o Pó deságua. Amor, que ao coração gentil logo se prende, tomou este aqui, pela beleza da pessoa que de mim foi levada, e o modo ainda me ofende. Amor, que a nenhum amado amar perdoa, prendeu-me, pelo seu desejo com tanta força que, como vês, ele ainda não me abandona. Amor nos conduziu a uma só morte. Caína aguarda aquele que tirou as nossas vidas.
Ao ouvir esse lamento, baixei o rosto, e permaneci assim, até Virgílio me despertar. Voltei novamente àquele casal, e perguntei: "

Canto V, 121:
"Francesca, o teu martírio me traz lágrimas aos olhos, mas dize-me, como sucedeu que dos ingênuos enleios o amor passasse a proibidos anseios?"

E ela “Não existe dor mais profunda do que a ventura relembrar na desventura, verdade que o teu guia bem conhece. Mas se pões empenho no conhecer a história do nosso amor fatal, procederei como aquele que, chorando, narra. Líamos um dia – mero passatempo – o relato de como Lancelot resultara vencido pelo amor. Estávamos sós, desarmados de malícia. Por vezes, nossos olhares, se encontrado, fizeram suspender a leitura e mudar a cor das faces. Um trecho nos fez sucumbir: ao lermos como a ansiante amada fora beijada pelo febril amante, este que de mim jamais se aparta, todo a tremer, beijou-me a boca. Culpados pois, o livro e o seu autor – eis que, aquele dia já não lemos mais.”

"Enquanto uma alma contava a sua história triste, a outra chorava sem parar ao seu lado, e eu, comovido de piedade e dor, desmaiei, e caí como um corpo morto, cai”.






Bem, maravilhoso, não é? É uma versão em prosa. É genial Francesca culpar o livro e o sue autor, e depois dizer que aquele dia já não leram mais. Notem que estavam lendo um trecho dos amores de Lancelot e Guinévere. Lancelot, braço direito do rei Arthur e que o traiu com Ginévere, a rainha. Maravilha.

Meu soneto favorito de Augusto dos Anjos:





Psicologia de um vencido


Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro desde a epigênesis da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.


Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.


Já o verme - este operário das ruínas -
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,


Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Qual é a condecoração que distingue?



"Acho que a só a condenação à morte é que distingue um homem", pensou Mathilde; é a única coisa que não se compra. Estou destinada a proferir disparates esta noite. Já que não passo de uma mulher como as outras, pois bem! é preciso dançar." (...) Era impossível conquistar mais maior sucesso. Era a rainha do baile, ela o sabia, mas com frieza. "Que vida apagada passarei ao lado de uma criatura como Croisenois...", pensava ela, quando ele a conduzia ao seu lugar, uma hora depois. "Onde encontrarei prazer", acrescentou, com tristeza, "se, depois de seis meses de ausência, não o encontro num baile que faz inveja a todas todas as mulheres de Paris? E, ainda mais, estou cercada das homenagens duma sociedade que não posso imaginar melhor constituída. Não há aqui burgueses, a não ser alguns pares, e talvez um ou dois Julien. E, contudo", acrescentou, com uma triteza crescente, "a sorte me deu todas as vantagens: ilustração, fortuna, mocidade, tudo, exceto a felicidade".




A Sra. de Rênal pensava nas paixões como nós pensamos na loteria: lôgro certo e felicidade e felicidade buscada por loucos. Enrusbeceu muito quando ouviu a voz de Julien levando as crianças. Um pouco astuciosa desde que amava, ela se queixou de uma horrível dor de cabeça para explicar o seu rubor. (...) Não o podia olhar sem enrusbecer, e não podia passar um segundo sem olhá-lo.




Julien sentia um desgosto mortal de todas as suas boas qualidades, de todas as coisas que amara com entusiasmo; e, nesse estado de imaginação transtornada, ele pretendeu julgar a vida através da imaginação. Esse erro é de um homem superior.






Três momentos de O Vermelho e o Negro. Não deixem de ler esse magnífico livro. Um linguajar requintado e um conteúdo profundo. Eu não tenho um amor mas sofro, por identificação, os amores desses personagens tão ricos que leio.


Sei o que estão pensando: mais um blog de um melancólico... Não se enganem. Vão encontrar de tudo aqui. Aguarde e confie. KKK.